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É uma afirmação bastante contundente e não deve mesmo passar despercebida. Bem, devemos nos lembrar que para as mentes neoplatônicas era inconcebível que a divindade assumisse forma humana material. Essa distinção, entre o material e o imaterial, que resultava em diversos dualismos, influenciava muito a teologia cristã. Quando o Concílio de Nicéia decide pela dupla natureza de Cristo, contrariando Ario, ele faz uma distinção importante não só pelo fato de elaborar uma abordagem canônica autorizada da pessoa de Cristo, mas também por não permitir que ideias neoplatônicas ditem o curso da teologia. É nesse sentido que o John Rist faz a afirmação, porque algumas fronteiras começam a ser estabelecidas entre a fé cristã e o neoplatonismo. Isso tem consequências no desenvolvimento da teologia. - Resposta por João Uliana, tutor do InC
De que forma o Concílio de Nicéia coloca uma cortina entre o neoplatonismo e o cristianismo? Isso é dito na Aula sobre Ambrósio, Agostinho e o neoplatonismo na teologia. #FalaAí
A metáfora que acompanha o mandato cultural é a do mordomo. Como bons mordomos, nós não somos os donos dos recursos, mas os recursos foram confiados a nós pelo dono - Deus - para que os utilizemos bem e em benefício de todos os que habitam a “casa”. Inclusive, nossos dons e talentos fazem parte dos recursos que Deus nos deu para o bom exercício da cultura. Agora, podemos pensar também nas expressões de Gn 2: 15. A expressão de "cultivar" como agricultor, não inclui apenas o trabalho no campo, mas toda a potencialidade da vida a ser desenvolvida, “significados a serem desvelados”, na linguagem do Dooyeweerd. O mesmo ocorre com o termo "guardar", uma metáfora para o cuidado zeloso com o qual o ser humano deve cuidar do jardim. Mas, enfim, quanto ao mandato cultural mas propriamente apresentado em Gn 1: 26-28, a metáfora do mordomo segue sendo a mais explicativa, inclusive por ser canônica, tem relevância para nós. - Resposta por João Uliana, tutor do InC
O mandato cultural carrega uma metáfora? #FalaAí
Novo texto no Blog! ✨ Apologética não é só sobre vencer debates. John Frame nos ensina que o papel da apologética vai além dos argumentos: trata-se de glorificar a Deus e revelar a beleza da verdade. Bons argumentos convencem, mas não convertem. Jesus não é apenas o Mestre, mas a própria beleza. Em Seu amor e sofrimento, contemplamos a plenitude da glória de Deus. “A verdade é que a beleza, embora seja mediada pelas coisas deste mundo, não está contida nelas. O deleite na criação sem o criador nos tornará escravos do prazer insaciável. A tragédia da beleza sem Cristo é inquietação de um coração insatisfeito.” Yuri Jackson Leia o texto completo e descubra como a beleza de Cristo transforma nossa visão do mundo! 🌍
Texto novo no Blog!✨ Você já refletiu sobre o papel do seu pastor na igreja? Como ele tem ajudado sua comunidade a viver o roteiro divino? 🤔 “O pastor-teólogo, apesar de ser um ator-diretor assistente do enredo divino, é um participante dependente do drama, assim como os outros atores sob a sua direção. Dito isso, é importante que ele mantenha o coração alinhado ao roteiro.” Odirlei Lima Leia o texto completo e aprofunde-se no papel crucial do pastor como teólogo! 📖
Sim, é exatamente por este ser o ambiente da comunhão dos santos que o aconselhamento deve ser uma extensão das atividades da igreja. Ou melhor, da prática da igreja. É o ambiente da Palavra de Deus, onde a prerrogativa teológica do pastor - e de todos os outros - é mais evidente. Como temos visto nesse mês, o trabalho bíblico-teológico do pastor é imprescindível. É distintivo de todas as suas funções, ou seja, a única coisa que ele não pode abrir mão. Essa é a natureza teológica da igreja. Desvincular a prática do aconselhamento bíblico da igreja é um contrassenso, visto que aqueles mais preparados para lidar com as Escrituras devem estar na igreja, atuantes e comprometidos. Veja, isso não quer dizer que todas as igrejas estão de fato preparadas. Potencialmente, a força para fazer, ela tem. Mas por razões diversas há muitas dificuldades, nós sabemos. Nosso esforço, contudo, é para tornar isso factível. Conselheiros bíblicos presentes nas igrejas, e irmãos da igreja sendo aconselhados em suas comunidades. A igreja torna-se, portanto, esse lugar de encontro entre conselheiros e aconselhados. Não no sentido físico, ok? Pode ser que os encontros, vez ou outra, ocorram em outro espaço, mas o vínculo deve ser sempre eclesiástico, com pastores, líderes, conselheiros em geral, pastoreando o rebanho que Deus lhes confiou a partir da Escritura. - Resposta por João Uliana, tutor do InC
Foi dito numa das tutorias que a igreja é o lugar do aconselhamento. Pode falar sobre isso? #FalaAí
Essa pergunta resume a "nova abordagem" do McGrath para uma proposta de teologia natural. Ver a natureza da perspectiva de Deus é buscar uma maneira canônica de entender o significado da realidade - da vida, por assim dizer. Dito de outra forma, revelação geral e revelação especial não se desvinculam, e, sem a revelação especial de Deus, não conhecemos a natureza, sua Criação. Sem a perspectiva canônica (lembrando aqui de Vanhoozer), não distinguimos as ambiguidades da natureza (na linguagem do McGrath). Podemos dizer também que toda a realidade possui um significado teológico, revelado. Eis a única forma de vermos a natureza, da perspectiva de Deus, ou a veremos equivocadamente, a partir de nós mesmos. - Resposta por João Uliana, tutor do InC
Qual a forma correta de vermos a natureza sem cairmos numa das correntes seculares que McGrath apresenta na obra Teologia Natural? #FalaAí
Texto novo no Blog! ✨ Você sabia que a apologética reformacional pode se beneficiar da filosofia reformacional para dialogar melhor com a cultura? Um exemplo prático é o método trinitário neocalvinista, que conecta os pontos fortes de pensadores como Van Til e Dooyeweerd. Esses ensinamentos podem enriquecer áreas práticas da igreja como aconselhamento bíblico e evangelização. O ponto central? O Deus Triúno é a resposta para a fragmentação da realidade. É Ele quem une o que o pecado separou e dá sentido à vida. “Não precisamos necessariamente usar termos técnicos ou discorrer por longas horas discursos filosóficos e teológicos para aproveitar esses ensinamentos. Eles podem ser mostrados na prática para a comunidade local: no olhar integral sobre a existência do ser humano, na construção de pontes de diálogo com a cultura e na conclamação do Deus Triúno como a única resposta à realidade fragmentada.” Lethícia Leal Vamos explorar juntos essa abordagem?💡
Novo texto no Blog! ✨ Descubra como uma cosmovisão genuinamente cristã pode transformar vidas e culturas sem perder a essência do Evangelho! “É necessário que cristãos e cristãs compreendam o que é uma cosmovisão genuinamente cristã e qual nosso lugar na grande narrativa bíblica. Nosso testemunho sempre será contextualizado, sem abrir mão dos valores do reino de Deus, descritos nas Escrituras.” Octavio Betiolo Leia o texto completo no Blog!
Há tentativas recentes de produzir Teologia Sistemática em modelos narrativo, como a do Michael Horton, por exemplo. O ponto mais importante, contudo, é que o Vanhoozer não descarta prontamente o propositivismo. Ao contrário, apesar das críticas e dos problemas que isso possa ter carregado, o propositivismo tem seu lugar. A fala, ou, dito mais tecnicamente, os atos de fala registrados nas Escrituras, em alguma medida, são proposicionais, e o Vanhoozer não ignora isso. Um pouco disso aparece nas páginas 99-106, quando, após uma crítica contundente, ele faz o papel de "salvar" as proposições, dando a elas uma nova configuração e um papel destacado no interior do teodrama. De fato, a Teologia Sistemática lida com proposições e axiomas, mas o modelo de textos prova acaba não dando conta da narrativa, dos contextos e da perspectiva do teodrama. A proposição, segundo o Vanhoozer, é um ingrediente da ação comunicadora, porém, que não dá conta de tudo. Ainda que a Bíblia nos informe - Ele ressuscitou!, esse padrão propositivo é a menor parte de um padrão de pensamento mais complexo. Bons estudos! - Resposta por João Uliana, tutor do InC
Quanto às críticas que o Vanhoozer faz à visão propositivista (p. 291, O Drama da Doutrina), chegando a citar alguns teólogos sistemáticos, minha dúvida é se é possível um estudo de teologia sistemática que não seja propositivista? #FalaAí
Texto novo no Blog! ✨ A Inteligência Artificial é um marco na história humana, mas o que a fé cristã nos ensina sobre ética no uso dessa ferramenta? Noé ou Babel? Obediência ou arrogância? 🧠 "As decisões no campo da inteligência artificial devem ser tomadas com a consideração da dignidade humana, prevenindo o uso de tecnologias que possam desumanizar as pessoas." Débora Soares Descubra como valores eternos podem guiar um futuro tecnológico responsável.🚀
Primeiro, McGrath cita as parábolas ao estilo judaico como um exemplo de ensino óbvio que apela à razão e ao conhecimento de maneira clara e objetiva, como acontece na literatura sapiencial - exemplo nos livros de Provérbios e Eclesiastes. As parábolas de Jesus, contudo, possuem tanto a força para revelar como a capacidade de esconder a verdade em questão. Por isso, logo no início da segunda parte ele fala da ambiguidade da natureza. Esta, para tanto, precisa ser assimilada pelo ouvinte, dado que o fato óbvio não está dado objetivamente. Bem, isso cria um problema exegético? Sim, se desejarmos compreender a revelação prescindindo do Deus que se revela; e não, se entendemos que o ato de revelação é um ato de Deus em benefício dos seus. A pergunta que surge agora é: sendo assim, quem é que pode fazer teologia? Parece que o verdadeiro conhecimento de Deus, portanto, carece de um relacionamento com ele, e isso não deveria nos espantar. Chegar à intenção do autor segue sendo nosso interesse, mas não nos esqueçamos que o autor da Criação transcende a própria Criação, e nossa busca para alcançar suas intenções serão frustradas a não ser que o próprio Deus Criador oriente diretamente nossa busca. A questão envolvida aqui pode ser apresentada como a medida de autonomia no processo de conhecer (apreender, ver - na linguagem do McGrath) a Deus, seja através da Revelação Geral ou da Revelação Especial. Por muito tempo se creu que a Revelação Geral (Teologia Natural) era possível a despeito de Deus, afinal, Deus havia criado um mundo absolutamente inteligível, e dotado o ser humano das capacidades suficientes para este conhecimento. Assim, através do uso correto desses recursos (criação e cognição), conhecemos a Deus e o mundo de Deus. Contudo, a abordagem de Alister McGrath indica uma postura diferente. A proposta dele é que mesmo no que diz respeito à Revelação Geral, ao chamado livro da natureza, ou, na prática da teologia natural, a dependência revelacional é a mesma que julgamos necessária para a Revelação Especial. É preciso que Deus decifre a ambiguidade e nos instrua no conhecimento. Assim, a exegese da natureza torna-se ainda mais dependente da revelação, e conhecer a intenção do autor ainda mais necessário. - Resposta por João Uliana, tutor do InC
No capítulo 5 de Teologia Natural, Alister McGrath fala a respeito das parábolas de Jesus, e afirma que ao contrário das utilizadas pela tradição judaica, as que Jesus falava, tinham texto aberto, possuía interpretação indefinida. Minha dúvida: isso não traz um problema exegético? É possível chegar à intenção do autor dessa forma? #FalaAí
Texto novo no Blog! ✨ Você já parou para pensar se seus atos diários, como arrumar a cama, também são dignos de louvor a Deus? Nossa vida comum e ordinária pode ter valor espiritual? Algumas filosofias são marcadas pela ideia de um Deus distante, sugerem que os atos cotidianos não têm relevância espiritual. Mas o cristianismo nos ensina diferente. O Deus cristão está presente em todos os aspectos de nossas vidas — não apenas nos momentos extraordinários ou de culto. Nosso desafio é viver cada ato coram Deo, ou seja, diante de Deus e para Ele. “Somos encantados pelos grandes planos, grandes projetos, mudarmos o mundo. Renegamos as pequenas coisas como insignificância e menores. E Deus, em toda a narrativa bíblica e na vida humana de Cristo, nos ensina que são estas pequenas coisas que Ele requer de nós façamos com excelência para a Glória Dele ser manifesta em todos os aspectos das nossas vidas!” Raphaela Fernandes Leia o texto completo no Blog!
De fato, todo estudo é fenomenológico em alguma medida, porque passa pela nossa consciência. O Bavinck, em Filosofia da Revelação, explica essa tensão, e diz que: "O único caminho que nos capacita a alcançar a realidade é o caminho da autoconsciência. Eis aí a verdade do idealismo, isto é, que a mente humana (ou, em outras palavras, a sensação e a representação) é a base e princípio de todo conhecimento. Se há uma realidade objetiva, um mundo de matéria e força existindo nas formas do espaço e tempo, segue-se, pois, a partir da natureza da questão, que o conhecimento dessa realidade pode chegar até mim somente mediante minha consciência." E segue para o problema: "Todavia, o idealismo erra quando, a partir desse fato incontroverso - isto é, de que a realidade pode ser apreendida apenas mediante o medium da consciência -, chega à conclusão de que a percepção é um ato puramente imanente, e que consequentemente, o objeto percebido deve ser, ele mesmo, imanente à mente." Sua definição não está errada. Fenomenologia "é o estudo do que aparece à consciência". A pergunta, contudo, pode ser encarada em como isso se dá, ou ainda, em que medida isso resolve as nossas ambições de conhecimento? A questão é que ela, a Fenomenologia, é reducionista, nega o real, contenta-se com meras abstrações e elucubrações da mente. Mais uma vez o Bavinck: Uma filosofia que, negligenciando o mundo real, toma a razão como ponto de partida, há de necessariamente violentar a realidade da vida e explicar a natureza e a história em uma rede esquemática de abstrações. Na prática, o que sobra, é a razão humana como árbitro da realidade. Cientificismo, pragmatismo, são todos eles respostas apegadas a esse mito de que a mente humana, a consciência, é a única capaz de arbitrar a realidade. O resultado, solipsismo, niilismo e ceticismo. Espero ter ajudado. Bons estudos! - Resposta por João Uliana, tutor do InC
Não consigo compreender as definições de fenomenologia que dizem que "é o estudo do que aparece à consciência". Neste sentido todo estudo não seria fenomenológico na medida em que passa por nossa consciência? #FalaAí