Ronaldo Lidório • Oficial
СтатистикаCanal oficial do missionário, escritor e pastor presbiteriano, casado com Rossana e pai de Vivianne e Ronaldo Júnior.
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FAÇA COM A MOTIVAÇÃO CERTA Vimos que o cristão é chamado a fazer o que é certo perante Deus e perante os que estão ao seu redor, seja na área moral, financeira, familiar, relacional, profissional ou na adoração ao Senhor. Vimos também que é chamado a fazer o que é certo na medida certa, pois até uma boa ação pode causar dano quando feita sem discernimento, equilíbrio e sabedoria. Hoje, chamo a sua atenção para outro aspecto de crucial importância: fazer o que é certo com a motivação certa. Podemos fazer a coisa certa, na aparência certa, mas com o coração errado. Podemos ajudar, ensinar, corrigir, servir e até defender a verdade buscando, secretamente, reconhecimento, controle, aplauso, proeminência, superioridade ou aprovação humana. Paulo nos ensina: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10:31). Esta expressão, “tudo”, alcança todas as áreas da vida. O que fazemos, falamos, decidimos, planejamos, damos, recebemos e suportamos deve ter como alvo maior a glória de Deus. Para isso, precisamos sondar nossas motivações reais, secretas e profundas. E precisamos, de certa forma, nos desglorificar, retirando o nosso ego do centro e colocando-o aos pés de Cristo. A vida não deve girar em torno da nossa imagem, nome, influência, conquistas ou necessidade de sermos percebidos. A motivação certa nasce quando o nosso coração deseja agradar ao Senhor acima de tudo. Jesus também nos advertiu: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.” (Mt 6:1). Ele falava de pessoas que praticavam atos de justiça diante dos outros, talvez ajudando, socorrendo, ensinando e demonstrando piedade, mas cuja motivação era serem vistas, aplaudidas e celebradas. Que a nossa motivação não seja o ego, que deseja aparecer. Que não seja o ganho pessoal em detrimento de outros. Que não seja a manipulação, a vaidade, a inveja ou qualquer impulso impuro do coração. Antes, que nossa motivação seja honrar a Cristo. Portanto, faça o que é certo, na medida certa e com a motivação certa. Viva, sirva, fale, ouça, corrija, aprenda, ajude e persevere para a glória de Deus.
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FAÇA NA MEDIDA CERTA Falei ontem sobre fazer o que é certo, e vimos que a obediência ao Senhor nem sempre é fácil, confortável ou reconhecida. Ainda assim, somos chamados a praticar o bem, buscar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com Deus. Hoje, chamo a sua atenção para a importância de fazer o que é certo na medida certa. Não é raro estarmos cheios de boa vontade e boas motivações, agirmos na direção certa, mas errarmos na medida. É possível exagerar ou faltar, avançar demais ou recuar demais, falar demais ou calar quando deveríamos falar. E, quando erramos na medida, mesmo tentando acertar, podemos causar dor, confusão, dependência, esgotamento ou injustiça. Paulo nos ensina: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.” (Fp 4:5). A moderação cristã nasce da consciência de que vivemos diante de Deus. O Senhor está perto; por isso, não precisamos agir movidos por ansiedade, vaidade, medo ou impulso. Assim, a moderação nos ajuda a entendermos a medida certa em cada situação. Destaco quatro. Primeiro, fale na medida certa. O falar é provavelmente uma das áreas em que mais fácil e rapidamente erramos. É possível errar falando pouco, mas o erro mais comum é falar demais: explicar demais, reclamar demais, corrigir demais, opinar demais. A palavra certa, no tom certo, no momento certo, pode edificar de forma tremenda, mas a palavra excessiva pode ferir desastrosamente. Segundo, ajude na medida certa. É possível errar feio ao ajudar alguém, seja deixando de ajudar quando há real necessidade, seja ajudando além da medida. Quando deixamos de ajudar, falhamos no discernimento, misericórdia e amor. Perdemos a oportunidade de cooperar com aquele que precisa de uma mão na hora certa. Quando ajudamos além da medida, podemos promover dependência, acomodação e até sustentar escolhas erradas, encorajando um caminho que não se sustenta. Portanto, ajude com compaixão, mas também com sabedoria. Terceiro, reaja na medida certa. Pessoas maduras geralmente erram menos em suas ações planejadas, mas erram mais em suas reações, quando são provocadas, criticadas ou colocadas contra a parede. Podemos pensar que reagir na medida certa, em geral, significa falar menos, orar mais, ponderar mais e buscar discernimento sobre o próximo passo. Quarto, trabalhe na medida certa. Trabalhar demais pode produzir esgotamento, negligência pessoal e abandono da família. Trabalhar de menos pode revelar falta de fidelidade, falta de diligência e acomodação. Que o Senhor nos ajude a acertarmos na medida em nossas vidas!
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FAÇA O QUE É CERTO Não é fácil fazer o que é certo. Às vezes, agir corretamente traz críticas, perdas pessoais, exposição indesejada, incompreensão e um custo a pagar. Há situações em que o caminho da obediência é mais estreito, mais solitário e mais difícil do que o caminho da conveniência. Por isso, muitas vezes sabemos o que deve ser feito, mas adiamos, fugimos, relativizamos ou procuramos justificativas. A Palavra, porém, nos encoraja e adverte a nos agarrarmos àquilo que é certo, não apenas por uma questão moral e social, mas também espiritual. Há diversos motivos para isso, mas podemos destacar dois. Primeiro, fomos criados por Deus, em Cristo Jesus, para praticar o bem. Paulo afirma: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2:10). Fazer o que é certo, portanto, não é algo periférico na vida cristã. É parte da nossa identidade em Cristo. Fomos salvos pela graça, mas também chamados a andar em boas obras, vivendo de modo coerente com aquele que nos salvou. Segundo, não fazer o certo é pecado perante Deus. Tiago nos lembra: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.” (Tg 4:17). A omissão também pode ser desobediência. Quando sabemos que devemos pedir perdão, ajudar alguém, falar a verdade, corrigir uma injustiça, abandonar um erro ou assumir uma responsabilidade, mas escolhemos não agir, pecamos contra o Senhor. Miqueias resume de forma clara o que Deus requer: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.” (Mq 6:8). O cristão não deve apenas evitar o mal, mas também praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente diante do Senhor. Portanto, faça o que é certo. Mesmo quando for difícil. Mesmo quando houver preço. Mesmo quando poucos entenderem. Não negocie com a sua consciência, não adie a obediência e não chame prudência aquilo que, na verdade, é medo. Peça ao Senhor coragem, sabedoria e humildade. E lembre-se: melhor é perder algo fazendo o que é certo do que preservar vantagens desobedecendo a Deus.
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O QUE FAZER COM O CORAÇÃO CANSADO Quando me refiro ao coração cansado, não estou falando apenas de exaustão física ou de desafios desgastantes da rotina. Falo daqueles momentos em que o próprio coração se abate, perde o vigor, desfalece e parece não encontrar forças para continuar. Você já passou por momentos assim? Quem sabe, esteja passando por isso nestes dias. A Palavra nos ensina: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.” (Is 40:29). Este verso é precioso porque nos mostra que Deus conhece o cansaço da alma. Ele sabe quando a força diminui, o ânimo se esgota, o coração se curva e quando já não encontramos vigor em nós mesmos. E a promessa é clara: o Senhor faz forte ao cansado. É certo que ninguém passa pela vida sem experimentar momentos de cansaço interior e abatimento do coração. Pode ser resultado de uma enfermidade, de perdas, desalentos relacionais, pressões financeiras, responsabilidades acumuladas, uma longa espera por uma resposta que ainda não chegou ou problemas que parecem não ter solução. Outras vezes, porém, o abatimento chega sem motivo claro, sem causa reconhecível, como uma névoa sobre a alma que nem sabemos explicar. Se o seu coração está pesado, cansado ou desanimado, comece lembrando-se da bondade de Deus com gratidão. Recorde os livramentos já recebidos, as respostas de oração, a provisão diária, as pessoas que o Senhor colocou em sua vida e, sobretudo, a salvação em Cristo Jesus. A gratidão não nega a dor, mas impede que a dor ocupe todo o espaço da alma. Depois, busque diante do Senhor os motivos do abatimento e trate-os com seriedade. Há algo que precisa ser tratado? Há um peso que precisa ser entregue? Há uma decisão que precisa ser tomada? Há um descanso que precisa ser buscado? Há uma conversa que precisa acontecer? Leve tudo ao Senhor em oração, com sinceridade, sem máscaras e sem pressa. Por fim, peça ao Senhor que reanime o seu coração. A força que você precisa não nasce apenas de circunstâncias mais leves, mas da graça de Deus sobre a sua vida. Ele faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Portanto, não desista. Ore, descanse, trate o que precisa ser tratado e espere no Senhor. O coração cansado encontra novo vigor nas mãos daquele que sustenta todas as coisas.
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DEUS NO MEIO DO INESPERADO Quando o inesperado acontece, o coração humano é rapidamente provado. Às vezes, o inesperado vem como uma boa notícia, uma porta aberta, uma oportunidade, um encontro ou uma resposta de oração. Outras vezes, chega como enfermidade, perda, conflito, mudança de planos, decepção, crise familiar, pressão financeira ou uma notícia que nos deixa sem chão. Seja bom ou difícil, o inesperado revela onde está firmada a nossa confiança. A Palavra nos ensina: “O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” (Pv 16:9). Fazemos planos, organizamos agendas, sonhamos projetos, tomamos decisões e buscamos caminhos. Isto é legítimo e necessário. Mas nenhum plano humano está acima do governo de Deus. O Senhor dirige os passos dos seus filhos, mesmo quando o caminho muda sem aviso. Por isso, diante do inesperado, somos chamados a exercer fé. Não uma fé ingênua, que nega os fatos, mas uma confiança profunda naquele que governa todas as coisas. O inesperado para nós nunca é inesperado para Deus. Ele não é surpreendido por diagnósticos, portas fechadas, mudanças repentinas ou situações fora do nosso controle. O Senhor já está no amanhã antes que cheguemos lá. Paulo afirma: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8:28). O texto não diz que todas as coisas são boas em si mesmas, mas que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem dos seus filhos. Até aquilo que nos assusta, entristece ou desconcerta pode ser trabalhado pelas mãos do Pai para formar em nós fé, humildade, perseverança, santidade e esperança. Algumas implicações são claras. Primeiro, confie em Deus. Antes de se desesperar, ore. Antes de concluir que tudo está perdido, lembre-se de quem governa a sua vida. Segundo, pondere o inesperado com sabedoria. Pergunte ao Senhor: o que devo fazer? O que não devo fazer? Onde preciso esperar? Onde preciso agir? Nem toda surpresa exige reação imediata. Terceiro, descanse. Confie em Deus o suficiente para descansar o coração perante este momento novo. Portanto, quando o inesperado chegar, entregue o coração ao Senhor. Faça o que lhe cabe com fé, prudência e obediência. Não faça o que nasce apenas do medo, da pressa ou da ansiedade. E descanse naquele que dirige os seus passos. Deus está no meio do inesperado.
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Hoje, o devocional será publicado às 9h.
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O PAI QUE SE COMPADECE Hoje, no dia dos pais, louvamos a Deus pela vida dos nossos pais, por aqueles que nos geraram, cuidaram e, de diferentes formas, marcaram a nossa caminhada. Louvamos também pelos filhos que o Senhor nos confiou, pois tanto a paternidade quanto a filiação são dádivas da bondade de Deus. Este é, portanto, um dia de gratidão. Gratidão pela vida, pela família, pelos vínculos de amor e pela graça do Senhor, que sustenta nossas casas e nossas jornadas. O Salmo 103 nos diz: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem.” (Sl 103:13). O texto nos apresenta uma das virtudes mais preciosas da paternidade: compadecer-se dos filhos. O pai segundo o coração de Deus não apenas observa de longe, ou se interessa de modo superficial, mas se envolve pessoalmente, amorosamente e profundamente com a vida daqueles que o Senhor colocou sob seus cuidados e ao seu lado. A palavra hebraica traduzida por “compadece” é ligada à ideia de compaixão profunda, ternura e misericórdia. Carrega a noção de um amor visceral, íntimo, entranhável. Não se trata de pena, mas de um movimento interior de amor que se inclina em direção ao outro. Assim, o pai que se compadece sente a dor do filho ou da filha, percebe suas necessidades, ora por sua vida, acompanha seus passos e deseja ver que floresça na presença de Deus. Na infância, envolvimento com proteção, cuidado e ensino. Na juventude, com presença, orientação e limites. Na vida adulta, com conselho e encorajamento. Em todas as fases, com oração, testemunho, amor e amizade. O que desejamos, como pais, é que nossos filhos sejam tudo aquilo que Deus os chamou para ser e façam tudo aquilo que Deus os chamou para fazer. Mas este salmo também nos lembra que a compaixão do pai terreno aponta para uma compaixão maior: a do próprio Deus. Pais falham, cansam-se e têm limites. O Senhor, porém, se compadece perfeitamente dos que o temem. Ele conhece nossa vida, fraquezas, dores e caminhos. Portanto, neste dia dos pais, agradeça a Deus por ser pai ou por ser filho. Pais, envolvam-se sabiamente na vida de seus filhos, sempre apontando para Cristo. Filhos, honrem e caminhem com os seus pais, abençoando-os no Senhor Jesus. E todos nós, descansemos no amor do Senhor, o Pai perfeito, cuja misericórdia não tem fim.
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AME SEM ADOECER É preciso olhar para o outro, amar, cuidar, servir e, muitas vezes, sacrificar-se. Esta é a vida cristã. Fomos alcançados pelo amor de Cristo e chamados a amar como Ele nos amou. Mas também é preciso cuidar de si, da própria fé, da vida, da alma e do coração, para não adoecer enquanto tenta ajudar, pacificar ou sustentar relacionamentos com outros. Há relacionamentos que exigem paciência, conversas repetidas, perdão constante, oração perseverante e muita sabedoria. Portanto, amar alguém não significa deixar de perceber o peso da relação. E cuidar de alguém não significa permitir que a nossa alma seja destruída. Paulo nos ensina: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;” (Rm 12:18). Este verso nos apresenta uma verdade equilibrada. Primeiramente, ele nos chama a buscar a paz. O cristão não deve ser promotor de conflitos, alimentar contendas, insistir em provocações ou agir com dureza desnecessária. Se depender de nós, devemos buscar reconciliação, diálogo, perdão e paz. Mas o texto também diz: “se possível” e “quando depender de vós”. Isto significa que nem sempre a paz dependerá apenas de nós. Há situações em que oramos, conversamos, pedimos perdão, perdoamos, procuramos agir com mansidão, mas a outra pessoa permanece fechada, agressiva ou indiferente. Nesses casos, devemos descansar no Senhor. Ame, mas não se coloque no lugar de Deus. Sirva, mas não tente controlar o resultado. Perdoe, mas não confunda perdão com ausência de limites. E ao buscar a paz, cuidado para não alimentar ambientes de violência, abuso, ameaça ou destruição emocional. Há momentos em que amar também exige distância, silêncio e proteção. Hoje mesmo conversei com um senhor na rua, falando sobre Jesus. Em certo momento, ele passou a compartilhar os desafios da sua vida, sobretudo a convivência com um dependente químico em sua família, que tem sido motivo de grande peso, preocupação e sofrimento. Ao final, ele desabafou: “É preciso amar, mas também ser firme”. Amar sem adoecer é permanecer fiel a Cristo sem entregar o coração à amargura. É fazer o bem sem se tornar refém do outro. É buscar a paz sem assumir culpas que não são suas. É cuidar sem tentar carregar aquilo que só Deus pode transformar. Portanto, ame de verdade, cuidando e zelando pelo outro. Mas também guarde o seu coração, sem adoecer, porque o mesmo Cristo que o chama a cuidar do outro também cuida de você.
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GENTE DIFÍCIL, CORAÇÃO GUARDADO Bem sabemos que lidar com pessoas difíceis é um grande desafio, especialmente quando são relacionamentos próximos, frequentes ou inevitáveis. Há pessoas difíceis no temperamento, nas palavras, nas reações, nas críticas, nas exigências, na instabilidade emocional ou na forma como tratam os outros. Relacionamentos assim podem cansar a alma, roubar a paz e provar a nossa fé. Nossa reflexão hoje se destina àqueles que convivem com pessoas difíceis em suas vidas, sejam familiares, irmãos em Cristo, colegas de trabalho, líderes, liderados, amigos ou pessoas que Deus colocou em seu caminho. Mas precisamos também reconhecer, com humildade, que às vezes somos nós as pessoas difíceis na vida de outros. Todos precisamos igualmente da graça de Deus. Paulo nos ensina: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.” (Cl 3:13). Suportar e perdoar são os dois chamados deste verso. Suportar não significa aprovar o erro, alimentar abusos ou fingir que nada aconteceu. Suportar é permanecer em amor quando a convivência exige paciência, mansidão, domínio próprio e perseverança. É não desistir facilmente do outro. É aprender a caminhar com pessoas imperfeitas, lembrando que também somos imperfeitos diante de Deus. Perdoar, por sua vez, é entregar ao Senhor a dívida pessoal ou moral que o outro contraiu conosco. É deixar de alimentar vingança, amargura e ressentimento. É sinceramente liberar o coração diante de Deus em relação ao outro, lembrando que fomos perdoados em Cristo. Isto não significa que não devemos nos proteger ou mesmo nos afastar em alguns casos, sobretudo quando há violência, abuso, manipulação, ameaça, destruição emocional ou perigo real. Há sabedoria em estabelecer limites, buscar ajuda e preservar a vida. Estamos tratando aqui dos casos em que somos chamados a tolerar, perdoar, conviver e testemunhar com maturidade cristã. Portanto, se este é o seu caso, guarde o seu coração. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4:23). Ore por essa pessoa, mas ore também por você. Peça ao Senhor mansidão sem fraqueza, perdão sem amargura e amor sem adoecimento. E lembre-se: gente difícil não precisa transformar o seu coração em um coração difícil. Sigam em paz!
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QUANDO A PACIÊNCIA ACABA Você já perdeu a paciência com alguém? Talvez esteja perdendo nestes dias. Quem sabe, há uma pessoa que tem sido uma provação para você, fazendo-o andar a segunda milha de forma repetitiva, alguém por quem você tem orado, esperado e investido, mas ainda sem mudanças visíveis. Nessas horas, o coração se cansa, as palavras ficam mais duras e a vontade de desistir parece ganhar força. A Palavra nos ensina: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5:22-23). Entre as expressões deste fruto está a longanimidade. Podemos entendê-la como a perseverança amorosa que o Espírito Santo produz em nós quando a paciência natural já chegou ao fim. Costumo dizer que a longanimidade começa onde a paciência acaba. A paciência humana, muitas vezes, suporta até certo ponto. Depois, cansa, irrita-se, endurece ou se afasta. A longanimidade, porém, é aquele fôlego profundo que vem de Deus, quando já percorremos longo caminho, já tentamos, esperamos e nos cansamos, mas o Senhor renova as forças para continuarmos agindo com graça, interesse e boa expectativa. Vale ressaltar que o fruto do Espírito começa com o amor. E o amor sustenta tudo o mais. Sobre ele, Paulo afirma: “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13:7). Lembre-se, porém, que isto não significa ingenuidade, passividade ou permissão para que o mal continue sem limites. Não significa alimentar relacionamentos tóxicos, abusivos, perigosos ou destrutivos. Há momentos em que a sabedoria e o bom senso dados por Deus nos chamam a estabelecer limites, buscar ajuda, confrontar com a verdade ou até nos afastar para preservar a vida, a paz e a integridade. É muito importante ter este discernimento, quando abraçar e quando deixar de abraçar (Ec 3:5). Mas estou falando aqui de outra coisa: do perdão, da mansidão, da oração perseverante e da decisão de não permitir que a dureza do outro transforme o nosso coração em pedra. Estamos falando de não devolver mal com mal, de não deixar a irritação governar as palavras, de não desistir de amar como Cristo nos amou. Portanto, quando a sua paciência acabar, peça ao Senhor longanimidade. Quando a longanimidade chegar ao limite, peça amor. Ore por essa pessoa, mas ore também por você. Peça que Cristo guarde o seu coração, santifique suas reações e lhe dê sabedoria para amar com verdade, firmeza e graça. O Espírito Santo pode formar em nós aquilo que jamais produziríamos sozinhos.
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