O Último Arconte ♄
СтатистикаCanal dedicado ao estudo de temas tradicionais e reflexões pessoais.
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O Barroco como exaltação da Vida. A natureza é vida; é atividade, mudança, fluir. A natureza transporta consigo o movimento; é, em si mesma, movimento. Porém, o movimento permanece, por natureza, fora do campo da razão; o movimento é absurdo. Qualquer introdução do movimento no processo de uma obra humana exige, por conseguinte para se realizar, um abandono da razão; [… o espírito clássico] cifra-se em tolerar ironicamente um mínimo de movimento, aceitando-o, se bem que com pesar, ou com sorriso, para escapar à morte e a título de mal menor. A atitude barroca, ao contrário, deseja fundamentalmente a humilhação da razão. O espírito barroco grita desesperadamente· “Viva o movimento e pereça a razão”; por outras palavras: “Viva a Vida e pereça a eternidade!.” — Eugenio d'Ors. O Barroco. A Querela do Barroco em Pontigny.
O Czar e o Povo: Executores da Causa de Deus "Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César" é a lei escriturística sob um poder pagão. O povo não existe para o Czar, nem o Czar para o povo; antes, o Czar e o povo, juntos, são os executores da causa de Deus — a causa de toda a humanidade —; tal é a lei escriturística de um poder cristão ortodoxo. É a solução para as antinomias entre Deus e César, entre o espiritual e o secular, e a solução para as duas razões. — N. Fyodorov. Supramoralismo. q. XII.
O Ocidental é superior aos outros homens unicamente sob o aspecto do gênio inventivo; ora, este é somente um desvio — condicionado pelo humanismo e por suas consequências — do gênio criador que, este, é comum ao Ocidente e ao Oriente. O Ocidente prova sua grandeza por suas catedrais, não pelas máquinas ou por outras invenções que só visam objetivos terrenos.
https://www.youtube.com/watch?v=MCUK_9zOWjs
https://www.youtube.com/watch?v=MCUK_9zOWjs
O academicismo é característico das épocas consolidadas, plenas de si mesmas, seguras de si mesmas. O barroco, por outro lado, manifesta-se onde há transformação, mutação, inovação; […] o barroquismo está sempre voltado para o futuro e costuma surgir precisamente em expansão no momento culminante de uma civilização ou quando está prestes a nascer uma nova ordem na sociedade. Pode ser um ponto culminante, assim como pode ser uma premonição. — Alejo Carpentier. Lo Barroco y lo Real Maravilloso.
E não creiais que aqueles que sucumbiram pela causa de Allah estejam mortos; ao contrário, vivem, agraciados, ao lado do seu Senhor. – Alcorão Sagrado, 3:169 @Homemdosubsolo
A Razão do Surrealismo A razão do surrealismo transcende toda a literatura, toda a arte, todo método específico e todo produto resultante. O surrealismo é uma cosmovisão, não uma escola ou um “ismo”; uma empreitada de conquista da realidade, que é a realidade verdadeira, em vez daquela de papel machê e eternamente âmbar; uma reconquista do que foi mal conquistado (o que foi conquistado pela metade: com a fragmentação de uma ciência, de uma razão raciocinante, de uma estética, de uma moral, de uma teleologia) e não a mera continuação, dialeticamente antitética, da velha ordem supostamente progressista. — Júlio Cortázar. Muerte de Antonin Artaud. Nota completa: http://letras.mysite.com/jcor180620.html
A Assimilação do Mistério 2/2 Toda semeadura profunda [...] realiza-se no espaço vazio. E toda semeadura que nos faz estremecer [...] realiza-se no espaço sem resposta, que, afinal, acaba por dar uma resposta. Mas é uma resposta que nos é desconhecida; não possui justificativa; é um bocejo do vazio. O inesperadamente tragicômico, porém, é que o homem pode assimilar essa resposta. Quando Electra acreditou ter dado à luz um dragão, viu que o monstro chorava porque queria ser amamentado. Sem hesitar, ofereceu-lhe o peito; depois, o leite saiu misturado com sangue. Embora tivesse dado à luz um monstro — algo que deveria deixá-la desnorteada —, ela sabia que sua resposta não podia ser deixá-lo morrer de fome, pois a grandeza do homem consiste em poder assimilar aquilo que lhe é desconhecido. Assimilar, na profundidade, é dar uma resposta. — José Lezama Lima. Paradiso. IX. O Último Arconte
A Assimilação do Mistério 1/2 [...] a raiz, onde não há nem pureza nem impureza, e sim uma seiva sombria que é absorvida e que culmina na sentença de uma flor ou na plenitude morfológica de um fruto, traz das profundezas um acontecimento que não pode ser justificado, porque é mais profundo do que toda justificação. — José Lezama Lima. Paradiso. IX. Imagem: Atena e Etichthonios. O Último Arconte
Ur Jorge Luis Borges na obra “Tlön Uqbar Orbis Tertius” conceitua Ur como “a coisa produzida por sugestão, o objeto eduzido pela esperança”. Em nossa interpretação, essa nomeação é genial. Ur não simplesmente quer dizer “proto-” em alemão, mas é fogo ou luz (אוּר) no hebraico e é a cidade (uru, no sumério, urbe [sic] em latim) de onde Abraão, surgiu. O Ur de Borges pode ser, como encontrado por nós, vocação ao aparecimento, o aparecimento de um objeto antes não achado, portanto, aparecimento, iluminação, primordialidade, aqui, querem dizer a mesma coisa. Será então Uriel o núncio do Ur-Seyn que os pré-socráticos, os filhos da novíssima hora, desta América vocacionam? O Último Arconte
A Domesticação da Literatura pela Modernidade 2/2 Aos que desejam reencantar o mundo, saiba que não devemos sobrepor um mundo fantástico a este ou a falar deste mundo em outro por meio de alegorias, mas que a talvez uma das únicas formas de efetivar essa…
A Domesticação da Literatura pela Modernidade 2/2 Aos que desejam reencantar o mundo, saiba que não devemos sobrepor um mundo fantástico a este ou a falar deste mundo em outro por meio de alegorias, mas que a talvez uma das únicas formas de efetivar essa dimensão da literatura enquanto vôo, fuga ou deslizamento, é subvertendo, em uma literatura sobre o real, o próprio conceito moderno de realidade. Esse texto é do meu substack, que estou usando como um diário pessoal para registrar alguns pensamentos avulsos: https://substack.com/@vard3588
A Domesticação da Literatura pela Modernidade 1/2 A literatura está aí para abrir a nós o mundo através de um vôo a lugares nele que ainda não conhecemos. Lugares neste mundo que ainda não conhecemos hoje funciona como um mantra que bane tudo o que não é convencional para o reino da fantasia, para um saudosismo do passado ou para a utopia. Esse simples fato indica que a literatura, ainda que crítica deste mundo, nos prende a esse desencanto, a faceta literária da gaiola de ferro (stahlhartes Gehäuse) de Max Weber. Na verdade, os sacerdotes da técnica e da ciência, nunca poderão dizer esse mantra sem mentir ao interlocutor, pois a lógica pela qual discernem que algo é real ou irreal já os dá todas as possibilidades de entes do mundo, não restando, de forma alguma, um lugar inexplorado para tomarmos vôo na literatura. Por essa definição, assim, não há literatura para os modernos, seu aspecto criativo foi perdido e ela foi reduzida ao aspecto educativo, que visa a reforçar seu palavreado (logia) moderno.
https://youtu.be/tDxUuFVbGGM?t=73&is=SyD99YsmVZM3wEDX
Theosis e Imiaslavie: Por que Deus criou o homem? Com o propósito de tornar feliz o ser criado, comunicando-lhe Sua Divindade. Para que, ao tornar o homem capaz de inteligir e assimilar os atributos perfeitos de Deus, e ao torná-lo a imagem de Deus, Ele…
[Quando quem medita sobre Deus] se atira na parte mais profunda da escuridão sombria, onde reside aquela luz mais sutil, imensa e incriada, e fica tão cego em tamanha escuridão que acaba perdendo a visão completamente e, com ela, os outros sentidos, e vive para se tornar mais ignorante, quanto mais se afoga no abismo da Essência incompreensível. — Antonio Ruiz de Montoya. Sílex do Amor Divino. I.
https://alexandriaapocrifa.wordpress.com/2026/06/11/dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar-ii/
Textos Novos: https://alexandriaapocrifa.wordpress.com/2025/12/12/dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar/
"Deus est in omnimus rebus." "Deus está em todas as coisas." — São Tomás de Aquino. Suma Teológica. Ia Pars., q. 8, a. 1. "[e] n'Ele vivemos, e nos movemos, e existimos" — Atos. 17:28