A Pᴀɪxᴀ̃ᴏ ᴅᴇ Cʀɪsᴛᴏ
Статистика“Sᴇ ǫᴜᴇʀᴇɪs ᴘʀᴏɢʀᴇᴅɪʀ ɴᴏ ᴀᴍᴏʀ ᴅᴇ Dᴇᴜs, ᴍᴇᴅɪᴛᴀɪ ᴛᴏᴅᴏs ᴏs ᴅɪᴀs ᴀ Pᴀɪxᴀ̃ᴏ ᴅᴏ Sᴇɴʜᴏʀ. Nᴀᴅᴀ ᴄᴏɴᴛʀɪʙᴜɪ ᴛᴀɴᴛᴏ ᴘᴀʀᴀ ᴀ sᴀɴᴛɪᴅᴀᴅᴇ ᴅᴀs ᴘᴇssᴏᴀs ᴄᴏᴍᴏ ᴀ Pᴀɪxᴀ̃ᴏ ᴅᴇ Cʀɪsᴛᴏ” (Sᴀ̃ᴏ Bᴏᴀᴠᴇɴᴛᴜʀᴀ)
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É com razão que Santa Teresa se queixava amargamente de certos livros que lhe haviam aconselhado que deixasse a meditação da Paixão como um obstáculo à contemplação da Divindade. – “Ó Senhor de minha alma”, exclamava a Santa, “ó meu Jesus crucificado! É possível que Vós sejais para mim um obstáculo a um bem maior? E de onde me tem vindo todos os bens senão de Vós?” Em seguida acrescenta: “Observei que, para seu próprio contento, e para nos fazer grandes graças, Deus quer que tudo passe pelas mãos da santíssima Humanidade, na qual a divina Majestade nos assegura ter posto a sua complacência.” Peçamos, também, à divina Mãe, Maria, que nos obtenha de seu Filho a graça de entrarmos por meio de uma meditação contínua nas sagradas chagas, estas fornalhas de amor, onde se abrasaram tantos corações amantes; afim de que, consumidos em nós todos os afetos terrenos, possamos também arder nas chamas felizes que fazem as almas santas na terra e bem-aventuradas no céu. Referências: (1) Hb 12, 3 (2) 2 Cor 5, 14 Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso Maria de Ligório
MEDITAÇÃO A MEDITAÇÃO DA PAIXÃO DE JESUS CRISTO É UMA ESCOLA DO DIVINO AMOR Ignem veni mittere in terram; et quid volo, nisi ut accendatur? – “Eu vim trazer fogo à terra; e que quero se não que ele se acenda?” (Lc 12, 49) Sumário. Jesus Cristo é amado de poucos, porque poucos são os que refletem nas dores que Ele padeceu por nós. O que as considera frequentemente, não pode viver sem amar a Jesus; porquanto ficará de tal modo preso pelo seu amor, que lhe será impossível não amar um Deus que chegou a morrer exausto de sangue para ganhar o nosso amor. Roguemos à divina Mãe, Maria, que nos obtenha do seu Filho a graça de entrarmos em suas chagas sagradas por meio de uma meditação contínua. ─────────────────────── I. Ó amante das almas, nosso amantíssimo Redentor, declarou que veio à terra e se fez homem para acender em todos os corações o fogo do santo amor: Eu vim trazer o fogo à terra. Oh! De que belas chamas de caridade não tem Ele abrasado tão grande número de almas, especialmente por meio dos sofrimentos que quis suportar em sua morte, afim de nos mostrar a imensidade do seu amor para conosco! Oh! Quantos corações felizes se inflamaram de tal modo nas chagas de Jesus, como em outras tantas fornalhas de amor, que não hesitaram em sacrificar-Lhe os bens, a vida, a si mesmo todos inteiros, vencendo corajosamente todas as dificuldades que encontravam na observância da divina lei! Com efeito, quem pode deixar de amar a Jesus, vendo-O, em todo o correr da sua vida, atormentado e desprezado, e afinal morrer exausto de sangue sobre a cruz, afim de ganhar o nosso amor? – Frei João de Alvernia, cada vez que lançava os olhos para Jesus coberto de chagas, não podia reter as lágrimas. Frei Thiago de Tuderto, ouvindo ler a Paixão do Redentor, não somente derramava sentidas lágrimas, mas rompia em suspiros profundos, oprimido pelo amor em que ardia por seu divino Mestre. Finalmente, para não mencionar muitos outros, foi na doce escola do Crucifixo que São Francisco se tornou um serafim de amor. Chorava tão continuamente quando meditava nos sofrimentos de Jesus Cristo, que quase chegou a perder a vista. Um dia foi encontrado dando gritos lastimosos, e perguntou-se-lhe o que tinha. “Ah! Que posso ter?” respondeu, “choro as dores e as afrontas do meu Senhor. E minha dor”, assim acrescentou, “aumenta vendo a ingratidão dos homens que não o amam, e vivem sem pensar n’Ele.” Todas as vezes que ouvia balar um cordeiro, sentia-se movido de compaixão, pelo pensamento da morte de Jesus, o Cordeiro imaculado, imolado sobre a cruz pelos pecados do mundo. Abrasado todo em amor, este Santo não sabia recomendar outra coisa com mais empenho a seus irmãos do que a lembrança frequente da Paixão de Jesus. II. Um piedoso solitário rogava a Deus que lhe ensinasse o que poderia fazer para o amar perfeitamente. Revelou-lhe o Senhor, que para chegar ao perfeito amor não havia exercício mais útil do que a meditação frequente de sua Paixão. É este exatamente o conselho que o Apóstolo nos deu para não desfalecermos, mas corrermos expeditamente no caminho de céu. “Para que não vos fatigueis”, escreve o Apóstolo aos Hebreus, “e não desfaleçais em vossos ânimos, não deixeis de pensar naquele que dos pecadores suportou contra si uma tal contradição.” (1) Escrevendo depois aos fiéis de Corintho, acrescenta: Caritas Christi urget nos (2) – “A caridade de Cristo nos constrange”. Como se dissesse: Jesus é amado de um pequeno número, porque é pequeno o número daqueles que meditam nas penas que Ele sofreu por nós; mas o que nelas medita muito, não pode viver sem amar a Jesus. Sentir-se-á de tal modo constrangido pelo amor divino, que lhe será impossível não amar um Deus tão amante e que tanto tem sofrido para ser amado.
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II. Jesus crucificado apareceu um dia a soror Magdalena Orsini, que havia muito tempo estava na tribulação e a exortou a sofrer com resignação. A serva de Deus respondeu: “Mas, Senhor, Vós não estivestes na cruz mais do que três horas e eu há tantos anos que sofro estas penas!” Jesus repreendeu-a, dizendo: “Ah! Ignorante, que dizes? Desde o primeiro instante que estive no seio de minha Mãe, sofri no coração tudo que sofri mais tarde na cruz.” E eu, meu amabilíssimo Redentor, à vista de tudo que tendes sofrido por meu amor, durante toda a vossa vida, poderei ainda queixar-me das cruzes que Vós me enviais para meu bem? Agradeço-Vos por me haverdes resgatado a preço de tanto amor e de tantas dores. Para me animar a sofrer com paciência as penas desta vida, quisestes tomar sobre Vós todos os nossos males. Ah, Senhor! Fazei-me lembrar muitas vezes as vossas dores, afim de que eu aceite e deseje sempre sofrer por vosso amor. Scitis quid fecerim vobis? (1) – Meu Jesus, já sei quanto fizestes e sofrestes por meu amor; mas Vós sabeis igualmente que eu até agora não tenho feito nada por Vós. Ajudai-me a sofrer alguma coisa por vosso amor antes que chegue a hora da minha morte. Ó Senhor, tenho vergonha de aparecer diante de Vós, mas não quero continuar a ser ingrato para convosco, como tantos anos tenho sido. Por amor de mim Vós Vos privastes de todo o prazer, e eu, por vosso amor, renuncio a todos os prazeres dos sentidos. Por amor de mim Vós sofrestes tão grandes dores; por vosso amor quero sofrer todas as penas da minha vida e da minha morte, como Vos agradar. Vós fostes abandonado; eu consinto em que todos me abandonem, contanto que não me abandoneis, meu único e soberano Bem. Vós sofrestes perseguição; eu aceito toda e qualquer perseguição. Vós, finalmente, morrestes por mim; eu quero morrer por Vós. – Ah, meu Jesus, meu tesouro, meu amor, meu tudo, eu Vos amo; dai-me mais amor e nada mais Vos peço. – Ó minha Mãe de dores, peço-vos a mesma graça; obtemde-m’a pela Paixão do vosso Filho. Referências: (1) Jo 13, 12 Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso Maria de Ligório
MEDITAÇÃO DA VIDA PENOSA DE JESUS CRISTO Defecit in dolore vita mea, et anni mei in gemitibus – “A minha vida tem desfalecido com a dor, e os meus anos com os gemidos” (Sl 30, 11) Sumário. O nosso amável Redentor, desde o primeiro instante da sua vida, teve sempre presentes os ultrajes e as dores que o esperavam pela vista horrível de todos os males que o deviam afligir. Quando nos sentirmos oprimidos pelas cruzes que se nos afiguram longas ou pesadas demais, lancemos um olhar para Jesus Cristo e lembremo-nos da vida penosa que ele levou. Assim de certo não nos ousaremos queixar da mão paternal que nos fere para nosso bem. ─────────────────────── I. Deus, usando de compaixão para conosco, não nos faz conhecer, antes do tempo, as penas que nos esperam. Se a um criminoso, que expira sobre o patíbulo, tivesse sido revelado, desde o uso da razão, o suplício que o esperava, teria jamais podido experimentar alegria? Se, desde o princípio do seu reinado, tivesse sido mostrada a Saul a espada que o devia traspassar, se Judas tivesse visto de antemão o laço que o devia estrangular, quão amarga teria sido a sua vida! O nosso amável Redentor, porém, desde o primeiro instante da sua vida, teve sempre presentes os açoites, os espinhos, a cruz, os ultrajes da sua Paixão e a morte desolada que o esperava. Quando via as vítimas sacrificadas no templo, bem sabia que eram outras tantas figuras do sacrifício que ele mesmo, o Cordeiro sem mancha, devia consumar sobre o altar da cruz. Quando via a cidade de Jerusalém, bem sabia que era ali que devia perder a vida em um mar de dores e de opróbrios. Quando lançava os olhos para a sua amada Mãe, já imaginava vê-la agonizante de dor ao pé da cruz, na qual Ele expirava. Assim, ó meu Jesus, a vista horrível de tantos males Vos teve num tormento e numa aflição incessantes, muito tempo antes da vossa morte. E Vós aceitastes e sofrestes tudo isso por meu amor. – Ó Senhor, só a vista de todos os pecados do mundo, particularmente dos meus, fez com que a vossa vida fosse a mais aflita e penosa, de todas as existências passadas e futuras. – Mas, ó Deus! Em que lei bárbara está escrito que um Deus ame tanto a uma criatura e que depois disto a criatura viva sem amar a seu Deus; mais ainda, viva a ofendê-Lo e contrista-Lo? Ah, Senhor! Fazei-me conhecer a grandeza do vosso amor, afim de que eu deixe de Vos ser ingrato. Se eu Vos amasse, ó meu Jesus, se eu Vos amasse verdadeiramente, quão doce me seria sofrer por Vós!
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DEVOÇÃO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO PARA O MÊS DE JULHO
LADAINHA EM HONRA AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE CRISTO Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, atendei-nos. Deus Pai dos céus, tende piedade de nós. Deus Filho, redentor do mundo, tende piedade de nós. Deus Espírito Santo, tende piedade de nós. Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós. Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos. Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos. Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos. Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos. Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos. Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos. Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos. Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos. Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos. Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos. Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos. Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos. Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos. Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos. Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos. Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos. Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos. Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos. Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos. Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos. Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos. Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos. Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos. Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor. V. Remistes-nos, Senhor com o Vosso Sangue. R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus. OREMOS: Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o Vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo, e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Assim seja.
Esses méritos do Sangue de Cristo são especialmente aplicados a nós por meio de três sacramentos: 1° O primeiro é o Batismo, que, como vimos, submerge-nos no Sangue de Nosso Senhor e afoga todos os nossos pecados. 2° O segundo é a Penitência, que lava no Sangue de Nosso Senhor as faltas em que possamos cair após o Batismo. 3° A terceira é a Eucaristia, que nos alimenta com o Corpo e o Sangue de Cristo como verdadeira comida e bebida de nossas almas. CONCLUSÃO Desta forma, todos os cristãos somos realmente os filhos do Sangue de Cristo, e assim o cantaremos eternamente — se Deus quiser — no céu: “Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra” (Ap 5,9-10). “Tu és digno Senhor, nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade”. (Ap 4,11). “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos” (Ap 7, 14-16).
Tomado dessa mesma ideia, prossegue São João Crisóstomo: «Queres descobrir outra virtude deste sangue? Sim, certamente. Considera, então, onde começou a derramar e de que fonte verteu. Começou a brotar na cruz; e teve sua fonte no lado do Senhor. Porque — diz o Evangelho — estando morto o Senhor, e enquanto ainda pendia na cruz, dele aproxima-se um soldado, ferindo-o no lado, do qual manou sangue e água… Aquela água e aquele sangue simbolizavam o batismo e a Eucaristia. Com eles, de fato, a Igreja foi fundada, pela regeneração da água e pela renovação do Espírito Santo: pelo Batismo, repito, e pela Eucaristia, que parecem ter saído daquele lado. Do lado de Jesus Cristo foi formada, pois, a Igreja, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa. São Paulo dá testemunho desta origem, quando diz: “Nós somos membros de seu corpo, formados a partir de seus ossos”, aludindo ao lado de Jesus Cristo. Então, assim como Deus fez a mulher do lado de Adão, Jesus Cristo deu-nos a água e o sangue emanados de seu lado, destinados à Igreja, como elementos reparadores”. 2° NOSSA REDENÇÃO EXIGIU O DERRAMAMENTO DO SANGUE DE CRISTO. Para que todas estas prefigurações do Antigo Testamento pudessem ser realizadas em Nosso Senhor Jesus Cristo, e a Igreja nascesse efetivamente do lado de Cristo, e seus membros fossem libertos e purificados por tão precioso Sangue, o Pai ordenou que Ele se fizesse homem e, para nos redimir de nossos pecados, exigiu-lhe o derramamento de todo o seu sangue como expiação pelos nossos pecados. Este é um ponto importante de nossa fé, que a festa do Sangue de Cristo expressa claramente, bem como a devoção ao Preciosíssimo Sangue que a Igreja quer nos inculcar durante o mês de julho: “Onipotente e sempiterno Deus, que constituístes a vosso unigênito Filho Redentor do mundo, e quisestes aplacar-vos com seu Sangue; fazei-que veneremos o preço de nossa salvação com solene culto e que, por sua virtude, sejamos livres na terra dos males presentes e gozemos no céu do fruto eterno.” Ponto importante, dizemos, porque hoje é negado. Os partidários da “Nova Teologia” rejeitam com desdém a doutrina da Igreja da satisfação vicária de Cristo, ou seja, que a justiça de Deus reclamou a expiação completa do pecado, razão pela qual Cristo, substituindo-nos em virtude da caridade, ofereceu ao Pai uma expiação completa pelo derramamento de seu Sangue na Cruz. Recordar, através desta festa, que Cristo nos redimiu, e que o preço da Redenção foi o seu preciosíssimo Sangue, é recordar-nos do caráter sacrificial da morte de Cristo, e do caráter sacrificial da Santa Missa, e do caráter sacrificial de nossa própria vida cristã. É o mistério de Jesus, e de Jesus crucificado, que outra vez se torna, como no tempo de São Paulo, um escândalo para os gentios, e loucura para os judeus. E isso por muitos motivos misteriosos, que só conheceremos perfeitamente no céu, mas entre os quais já podemos vislumbrar três: 1° O primeiro, para mostrar-nos a grandeza de seu amor: “Eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,8-9). A vida está no sangue; e a vida é o máximo que podemos dar aos outros. 2° O segundo, para mostrar-nos o valor de nossa alma: “Não fostes comprados com ouro nem com prata corruptíveis, mas com o Sangue de Cristo, Cordeiro imaculado” (I Pe 1 18-19); “fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6,20). 3° O terceiro, para mostrar-nos a malícia do pecado, que exigiu de Cristo uma morte tão sangrenta e cruel. 3° COMO SE NOS APLICA O VALOR SALVADOR DO SANGUE DE CRISTO. O Sangue de Cristo é, portanto, o preço do nosso resgate, preço que Cristo pagou a seu Pai para abolir a tirania que o demônio exercia sobre as almas. O sangue derramado de Cristo tem tanto valor perante o Pai que, por seus merecimentos foram expiados todos os nossos pecados e destruído o império do demônio sobre nós.
1° FIGURAS DO PODER SALVADOR DO SANGUE DE CRISTO. Uma belíssima figura do poder salvador do Sangue de Cristo temo-la no Cordeiro Pascal. Deus houvera ordenado a Moisés que punisse o Egito com dez pragas: a décima era a morte de todos os primogênitos do Egito. Mas como fazer para que o anjo da morte não exterminasse também os hebreus? Deus ordenou a Moisés que cada família reservasse um cordeiro, imolasse-o e, com seu sangue, tingisse o lintel das portas dos hebreus; e com isso o anjo exterminador passaria ao largo, e não mataria as casas em cuja entrada visse o sangue do cordeiro. — Que dizes, Moisés? — pergunta-se São João Crisóstomo nas Matinas da Festa do Preciosíssimo Sangue: — Por acaso o simples sangue de um animal pode salvar um homem? — Não, não tem essa eficácia por ser o sangue de um animal, mas por ser uma figura do Sangue de Cristo; do mesmo modo que entre nós uma efígie, uma insígnia ou uma bandeira, eles têm eficácia, não pelo que são em si mesmos, bronze, ou tecido, ou cor, mas pelo que figuram e significam. Figura do poder salvador do sangue de Cristo foi também a passagem do Mar Vermelho. Depois de deixar o Egito, os hebreus viram-se perseguidos pelo exército de Faraó; então Moisés, por ordem de Deus, abriu em duas as águas do Mar Vermelho e fez passar através delas o povo hebreu. Um era o povo que entrava, escravo de Faraó, e outro era o que saía, livre da escravidão; pois ao entrar o exército de faraó depois de Israel, Moisés fechou novamente as águas, e todos os egípcios foram afogados. Em tudo isso afigurava-se o poder do Sangue de nosso divino Salvador, no qual fomos submergidos e através do qual todos os nossos pecados pereceram, ficando nós, então, livres do poder do demônio. Finalmente, figura da eficácia salvadora do sangue de Cristo foi a arca de Noé. Escutemos como Santo Agostinho comenta nas Matinas da Festa do Preciosíssimo Sangue: “Vemos uma figura desse mistério na ordem que Noé recebeu para abrir de um lado da arca uma porta pela qual poderiam entrar os animais que deviam ser salvos do dilúvio, e isso representava a Igreja. Em vista deste mesmo mistério, a primeira mulher foi formada do lado de Adão enquanto ele dormia, e foi chamada de “vida” e “mãe dos vivos”… Vemos aqui o segundo Adão adormecendo sobre a cruz, depois de inclinar a cabeça, para que sua esposa fosse formada com o sangue e a água que verteriam de seu lado aberto durante o sono. Oh morte, que se torna para os mortos em princípio de ressurreição e vida! Pode haver algo mais puro do que este sangue, algo mais saudável do que esta ferida?”
MÊS DE JULHO, DEDICADO AO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE JESUS CRISTO A Igreja dedica todo o mês de julho ao amor e adoração do Preciosíssimo Sangue de nosso Salvador Jesus. É justo que nós adoremos na santa humanidade de Cristo, com um culto especial, aquelas partes que são mais significativas de algum mistério ou perfeição divina; e assim honramos: • SEU CORAÇÃO: para prestar culto ao seu amor infinito; • SUAS CHAGAS: para prestar culto a suas dores e sua paixão; • SEU SANGUE: para prestar culto ao preço de nossa Redenção. No entanto, esse culto do Sangue do Salvador assume um caráter festivo no mês de julho e na festa com a qual este mês inicia. Já na Quinta-feira Santa celebramos a instituição da Eucaristia e na Sexta-feira Santa o Sangue de Cristo derramado por nós; mas o acento da celebração centrava-se em sentimentos de dor, de compunção, de contrição. A Igreja volta depois a dar culto à Sagrada Eucaristia na festa de Corpus Christi, e também à Paixão e Sangue do Salvador, mas com maior ênfase nos sentimentos de alegria e triunfo. Nas litanias do Preciosíssimo Sangue, em que cada invocação se responde: Salva nos. Na Epístola da Festa do Preciosíssimo Sangue, que assim diz: “Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo?”
7° Pai-Nosso meditando a Abertura do Santo Lado de Cristo Pai-Nosso... Pai Eterno, dignai-Vos aceitar para as necessidades da Santa Igreja e como reparação dos pecados de todos os homens o Preciosíssimo Sangue e Água que manaram da Chaga do divino Coração de Jesus e sede para todos nós clemente e misericordioso. Sangue de Cristo, último e preciosíssimo tesouro do Seu Sagrado Coração, purificai-me de todas as culpas, minhas e alheias, água do lado de Cristo, purificai-me de todos os castigos do pecado e apagai as chamas do purgatório para mim e para todas as almas santas nele. Amém. O divino Salvador revelou à Santa Brígida a seguinte promessa: "Sabeis, que darei 5 graças àqueles que durante 12 anos, irão rezar sete Pai Nossos e Ave Marias em honra do Meu Precioso Sangue." 1. Não terão que passar pelo purgatório. 2. Aceitá-los-ei no Coro dos Mártires como se tivessem derramado seu sangue pela fé. 3. Conservarei 3 almas de seus parentes na graça santificante conforme sua escolha. 4. As almas dos seus parentes até a 4ª geração escaparão do inferno. 5. Um mês antes de sua morte ser-lhes-á dado conhecimento dela. Se por acaso morrerem antes dos 12 anos completos, irei julgar como se fossem as condições cumpridas." O Papa Inocêncio X confirmou a revelação desta devoção a ser praticada por 12 anos e acrescentou que as almas cumpridoras das condições libertarão cada 6ª. feira Santa uma alma do purgatório. A esta devoção, facilmente, se unirá a veneração e o oferecimento das Santas Chagas do nosso Salvador, pois das Suas Chagas brotou o Precioso Sangue. O Redentor recomendou este exercício à irmã Maria Marta Chambon e lhe deu grandes promessas a respeito deste.
6° Pai-Nosso meditando a Crucificação de Jesus Pai-Nosso... Pai Eterno, pelas mãos imaculadas de Maria e pelo divino Coração de Jesus, ofereço-Vos o Vosso divino Filho na Cruz, a Sua elevação na Cruz, Suas Chagas nas mãos e pés e as três torrentes do Seu santo Sangue que delas se derramaram por nós, Sua extrema pobreza, Sua obediência, todos os Seus tormentos do corpo e da alma, Sua morte preciosa e a incruenta renovação dela em todas as Santas Missas, como reparação de todas as transgressões dos santos votos e regras das ordens e congregações, dos meus pecados e dos do mundo inteiro, em favor dos doentes e moribundos, para obter santos sacerdotes e leigos, para a restauração das famílias cristãs, para fortaleza na fé, por nossa pátria e a união dos povos em Cristo e Sua Igreja.
5° Pai-Nosso meditando o Caminho da Cruz Pai-Nosso... Pai Eterno, pelas mãos imaculadas de Maria e pelo divino Coração de Jesus, ofereço-Vos os sofrimentos de Jesus na Sua Via-Sacra em particular na Santa Chaga do ombro e o Precioso Sangue da mesma como reparação da minha revolta e a de todos os homens contra a Cruz, do meu resmungar contra as determinações de Vossa Santa Vontade e de todos os outros pecados da língua, como preservativo contra tais pecados e para obter verdadeiro amor à Cruz.
4° Pai-Nosso meditando a Coroação de Espinhos Pai-Nosso... Pai Eterno, pelas mãos imaculadas de Maria e pelo divino Coração de Jesus, ofereço-Vos as feridas, as dores e o Precioso Sangue da santa Cabeça de Jesus derramado na coroação de espinhos como reparação dos meus pecados de espírito e os de todos os homens, como preservativo contra tais pecados e pela expansão do Reino de Cristo na Terra.