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Aurora Consurgens

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“Cum in omnibus philosophiae disciplinis ediscendis atque tractandis summum vitae positum solamen existimem.”

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  • A tendência moderna, tal como a vemos afirmar-se no protestantismo, é antes de tudo a tendência ao individualismo, que se manifesta claramente pelo “livre exame”, negação de toda autoridade espiritual legítima e tradicional. Esse mesmo individualismo, do ponto de vista filosófico, afirma-se igualmente no racionalismo, que é a negação de toda faculdade de conhecimento superior à razão, isto é, ao modo individual e puramente humano da inteligência; e esse racionalismo, sob todas as suas formas, é mais ou menos diretamente oriundo do cartesianismo, ao qual o “Eu Sou” nos faz pensar muito naturalmente, e que toma o sujeito pensante, e nada mais, como único ponto de partida de toda realidade. O individualismo, assim entendido na ordem intelectual, tem como consequência quase inevitável aquilo que se poderia chamar de uma “humanização” da religião, que acaba por degenerar em “religiosidade”, isto é, por não ser mais do que uma simples questão de sentimento, um conjunto de aspirações vagas e sem objeto definido; nesse sentido, o sentimentalismo, aliás, é complementar ao racionalismo. René Guénon, Symboles de la Science Sacrée, Gallimard, pp. 445–446.

  • “A razão (ratio) designa um certo processo discursivo pelo qual a alma humana chega ao conhecimento de uma coisa a partir de outra; ao passo que o intelecto (intellectus) é um conhecimento simples e absoluto (sem qualquer movimento ou discurso), obtido imediatamente, na primeira e súbita apreensão.” São Tomás de Aquino, De Veritate, q. XV, a. I.

  • "O estudo da filosofia não é para que saibamos o que os homens pensam, mas para sabermos o que é a verdade real sobre as coisas." (Santo Tomás de Aquino, De Coelo et Mundo, Bk. I, lect. 22.)

  • “A Trindade faz parte do caráter inefável de Deus e a geração do Verbo também é inefável; mesmo assim Deus é cognoscível e este conhecimento é real e não ofusca sua inefabilidade. É cognoscível no Filho e no Espírito Santo, com os quais criou o mundo; é cognoscível pelo amor, na história e na economia da salvação apontada na Escritura.” (E. Paretto, “Introduzione” in Epideixis, Borla, Roma, 1981, p. 41).

  • Assim, o nome ‘Aquele que é’ aplica-se mais propriamente a Deus do que os demais, pois pela sua indeterminação exprime melhor o oceano infinito da substância espiritual de Deus. Pelo contrário, nomes mais definidos, como ‘inteligente’ ou ‘livre’, ficam aquém desse modo infinito. Por isso, dizem os místicos que a contemplação superior, que procede da fé iluminada pelos dons, é confusa, indistinta, inefável; eles a colocam acima da contemplação distinta, que adviria de uma revelação especial. [...] Termos antitéticos exprimem algo elevado por meio de uma espécie de efeito contrário que produzem em nós. Assim, as expressões ‘noite escura’ e ‘grande treva’ exprimem ‘a luz inacessível na qual Deus habita’, uma luz que nos cega e nos afeta como uma obscuridade superior e transluminosa, que é o oposto direto da obscuridade inferior que procede da matéria, do erro ou do mal. Do mesmo modo, por ironia, a palavra de Deus é chamada de loucura, já que produz esse efeito nos insensatos. Com este sentido escreve São Paulo: ‘Pois, visto que, na sabedoria de Deus, o mundo, pela sua própria sabedoria, não conheceu a Deus, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação... Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.’ (Garrigou-Lagrange, O.P., The Three Ages of The Interior Life, Vol. I, Part III).

  • “Eu completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, em favor do seu corpo, que é a Igreja.” (Cl 1,24). “Responde-se, portanto, à primeira objeção: a Cabeça e os membros são como que uma só pessoa mística. Por isso, a satisfação de Cristo pertence a todos os fiéis como aos seus próprios membros. E, na medida em que dois homens são um só na caridade, um pode satisfazer por outro [...].” (S. Tomás, ST, IIIª q. 48 a. 2 ad 1). “Assim como Eva, ainda virgem, por sua desobediência se fez causa de morte para si e para todo o gênero humano [...] assim também Maria […] por sua obediência se fez causa de salvação para si e para todo o gênero humano.” (Santo Irineu de Lyon, Adversus Haereses III, 22, 4). “A consequência dessa comunhão de sentimentos e de sofrimentos entre Maria e Jesus é que Maria tornou-se legitimamente digna de reparar a ruína humana e, por isso, de dispensar todos os tesouros que Jesus nos obteve com Sua morte e Seu sangue. […] Por causa dessa comunhão de dores e angústias, já mencionada entre a Mãe e o Filho, foi concedido à Augusta Virgem estar, junto de Seu único Filho, como poderosíssima medianeira e conciliadora do mundo inteiro.” (Papa São Pio X, Ad Diem Illum Laetissimum, §14). “Por necessidade, o Redentor não pôde deixar de associar sua Mãe à sua obra. Por esse motivo, nós a invocamos com o título de Co-Redentora. Ela nos deu o Salvador, acompanhou-o na obra da Redenção até a própria Cruz, compartilhando com Ele as dores da agonia e da morte, nas quais Jesus consumou a Redenção da humanidade.” (Papa Pio XI, Alocução aos peregrinos de Vicenza, Itália, 30 de novembro de 1933).

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    Ele [Schuon] olhou para mim com ódio. Eu nunca tinha visto tal expressão em seu rosto antes, e fiquei assustada, mas não exatamente por mim. Então ele disse que eu tinha arruinado o tempo dele [...] ao dizer que seria uma entrevista difícil. Bem, eu aceitei isso e apenas me arrependi. Todos nós estávamos acostumados a sermos repreendidos por nossos erros de julgamento; mas ele manteve aquele olhar de ódio no rosto. Então eu o observava, enquanto ele gritava: “Ninguém vem me informar sobre nada! Ninguém pode me ensinar nada! Ninguém precisa vir me trazer documentação ou informação sobre absolutamente nada! As pessoas vêm me ver apenas para ouvir a verdade.” Maude Murray, The Third Wife of the Muslim Sheikh Frithjof Schuon, p. 184.

  • Deus é luz (João 1,9). Ora, a iluminação é a impressão da luz sobre o objeto iluminado. E como a essência divina é de um modo diverso de qualquer semelhança dela impressa no intelecto, Dionísio diz que a “treva divina é impenetrável a toda iluminação”, pois a essência divina — que ele chama de “treva” por causa de seu brilho excessivo — permanece não manifestada pela impressão em nosso intelecto e, por conseguinte, “oculta a todo conhecimento”. Portanto, se alguém, ao ver Deus, concebe algo em sua mente, isso não é Deus, mas um dos efeitos de Deus. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, Supplementum, q. 92, a. 1, ad 4.

  • A missão do chamado “intelectual” é, de certo modo, oposta à do político. A obra intelectual aspira, com frequência em vão, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto que a do político costuma, pelo contrário, consistir em confundi-las mais do que estavam. Ser de esquerda é, assim como ser de direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, com efeito, são formas de hemiplegia moral. [...] Mas uma das coisas que agora se dizem —uma “corrente”— é que, mesmo à custa da clareza mental, todo mundo tem que fazer política sensu stricto. Dizem-no, claro está, aqueles que não têm outra coisa a fazer. E até o corroboram citando de Pascal o imperativo d’abêtissement. Mas há muito tempo aprendi a colocar-me em guarda quando alguém cita Pascal. É um cuidado de higiene elementar. [...] A massa em rebelião perdeu toda capacidade de religião e de conhecimento. Não pode ter dentro de si senão política —uma política exorbitante, frenética, fora de si— já que pretende substituir o conhecimento, a religião, a sagesse, enfim, as únicas coisas que por sua substância são aptas a ocupar o centro da mente humana. A política esvazia o homem de solidão e de intimidade, e por isso a pregação do politicismo integral é uma das técnicas usadas para socializá-lo. Ortega y Gasset, La rebelión de las masas, Prólogo para franceses, IV.

  • "Por que encontramos tanta hostilidade mais ou menos confessada em relação ao simbolismo? Certamente, porque há um modo de expressão que se tornou completamente estranho à mentalidade moderna, e porque o homem é naturalmente inclinado a desconfiar do que não compreende. O simbolismo é o meio mais adequado para o ensino das verdades de ordem superior, religiosas e metafísicas, ou seja, de tudo que o espírito moderno rejeita ou negligencia; ele é o oposto do que convém ao racionalismo, e todos os seus adversários se comportam, alguns sem saber, como verdadeiros racionalistas." (René Guénon, Symboles de la Science sacrée, Gallimard, p. 9).

  • “Os céus não girariam a menos que seguissem o rastro de Deus, ou de Sua semelhança. Se Deus não estivesse em todas as coisas, a natureza cessaria de existir e de operar, pois, quer gostemos ou não, quer saibamos ou não, a natureza está sempre, ainda que de modo obscuro, buscando e tendendo a Deus.” (Meister Eckhart, London: Watkins, 1925, vol. I, p. 115).

  • Sem o uno, também não poderá existir a multidão; sem a multidão, ao contrário, poderá existir o uno, pois a unidade é anterior a todo número multiplicado. E se imaginássemos que todas as coisas estão unidas entre si, tudo seria uno na totalidade. Mas, por outra parte, há que ter em conta o que dizemos: que as coisas unidas se fazem uma só segundo a forma estabelecida previamente para cada uma delas, e que o uno é o fundamental de todas. Se se tira a unidade, não poderá dar-se nem o todo, nem a parte, nem nenhuma outra coisa, pois o uno contém de antemão e compendia de forma única em si mesmo todas as coisas. (São Dionísio, o Areopagita, Os Nomes Divinos, Cap. XIII, §2-3)

  • É absurdo e próprio de insensatos, a meu ver, deter-se mais nas palavras do que na força de seu significado. Isto não convém aos que desejam compreender as coisas divinas, mas apenas àqueles que percebem simples ecos que chegam a seus ouvidos, sem penetrar mais fundo, sem querer entender o significado [...]. São pessoas que se contentam com sinais e letras sem sentido, com sílabas e palavras incompreensíveis, que não chegam ao intelecto de sua alma, mas apenas ressoam externamente, em torno dos lábios e dos ouvidos. São Dionísio Aeropagita, Os Nomes Divinos, Cap. II, §11.

  • “Por isso dizemos que a Unidade Supraessencial está fundamentada de forma superior não apenas às uniões que ocorrem nos corpos, mas mesmo às das próprias almas e dos espíritos; tais uniões são possuídas, sem mistura e de maneira sobrenatural, por todas as luzes divinas e supracelestes entre si, ao participarem, segundo a capacidade dos participantes, da Unidade Suprema.” São Dionísio Aeropagita, Os Nomes Divinos, Cap. II, §4.

  • Ora, tanto a anima quanto o corpus são, de certa forma, derivados do spiritus; consequentemente, eles incorporam sua essência, que é única para cada pessoa. Há, portanto, em outras palavras, um nível de realidade (isto é, o eviterno) que não é afetado pelo fenômeno da morte, pela separação ou perda do componente corpóreo. Assim, uma autêntica "ressurreição do corpo" torna-se concebível. No entanto, a tradição védica não a menciona em parte alguma. E por quê? A razão nos foi dada — nos termos mais apodíticos possíveis — pelo próprio Cristo: "Eu sou a Ressurreição". Portanto, há uma distinção categórica a ser feita entre a tradição védica e a cristã; e embora não haja nenhum conflito entre as duas — o que significa que ambas podem ser simultaneamente verdadeiras —, elas não são de modo algum equivalentes. Assim, discordamos veementemente da noção schuoniana dos "diferentes caminhos que levam ao mesmo cume", e o fazemos em rigorosa conformidade com ambas as tradições [...]. Wolfgang Smith, Física, pp. 159-160.

  • https://www.youtube.com/watch?v=m6-qsVjDq74

  • O mito do Oriente […] é, portanto, falacioso. O deserto cresce, não há outra civilização que possa nos servir de apoio, devemos enfrentar nossos problemas sozinhos. A única perspectiva, mas hipotética, que nos é oferecida como contrapartida às leis cíclicas, é esta: o processo descendente da Idade das Trevas em suas fases terminais foi implementado pela primeira vez por nós; por isso, não se exclui que sejamos também os primeiros a ultrapassar o ponto zero […]. A conseqüência seria que — invertendo as partes — o Ocidente naquele ponto além do limite negativo, estaria qualificado para cumprir uma nova função geral de guia ou comando […]. Julius Evola, Cavalgar o Tigre.

  • "Daí não se segue que Ele não possa ser conhecido de modo algum, mas que Ele excede todo tipo de conhecimento; o que significa que Ele não é compreendido." Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, I, q. 12, a. 1. "Ocorre por isto que as mesmas Escrituras enaltecem a Deidade com expressões totalmente dessemelhantes. Chamam-na de invisível, infinita, incompreensível e de outras coisas que dão a entender não o que é, mas o que não é. Esta segunda maneira, segundo o meu entender, é muito mais própria ao falar de Deus pois, como a secreta e sagrada tradição nos ensina, nada do que existiu se parece com Deus e desconhecemos sua supraessência invisível, inefável, incompreensível (Col. 1, 15; I Tim. 1, 17; Heb. 11, 27)." São Dionísio Areopagita, A Hierarquia Celeste, Cap. II.

  • Por outro lado, é interessante observar que o mundo moderno está igualmente marcado por um retorno, sob uma forma transposta, dos temas próprios das antigas civilizações ginecocráticas meridionais. Nas sociedades modernas, o socialismo e o comunismo, com efeito, não são reaparições materializadas e mecanizadas do antigo princípio telúrico-meridional da igualdade e da promiscuidade na Mãe Terra? [...] O sentimento plebeu da Pátria, que se afirmou com a Revolução Francesa e que foi desenvolvido pelas ideologias nacionalistas como mística da estirpe e da Mãe Pátria sagrada e omnipotente, é efectivamente a reviviscência de uma forma de totemismo feminino. E os reis e os chefes de governos despidos de toda a autoridade real, os «primeiros servidores da nação», no regime democrático, testemunham o desaparecimento do princípio absoluto da soberania paternal e do retorno ao tipo que vai buscar à Mãe — substância do demos — a origem do seu poder. Julius Evola, Revolta contra o Mundo Moderno, 1989, p. 422.

  • Deve-se lembrar, além disso, que, enquanto o domínio físico ou corpóreo está sujeito à condição espaço-temporal, “abaixo da superfície” não se pode falar nem de separação espacial nem de sequência temporal em sentido literal. Aqui encontramos o reino verdadeiramente primordial — a coroa do Ato de Deus — onde tudo ainda está concentrado num único ponto, ou “fundido sem confusão”, como diz Mestre Eckhart. Tal é, em resumo, o panorama metafísico que se nos revela — como num relâmpago — em Gênesis 2, 5. E acontece que esse quadro não é favorável ao evolucionista. Com efeito, a doutrina da evolução pode doravante ser comparada a uma botânica que supõe que as plantas surgem abruptamente ao nível do solo — como se não tivessem nem sementes nem raízes! Wolfgang Smith, Teilhardism and the New Religion, 1988, p. 32.