Centro de Estudos Minayba
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“O poder do discurso sobre a disposição da alma é como a disposição de drogas (pharmaka) sobre a natureza do corpo. Assim como drogas diferentes retiram humores diferentes do corpo e põem fim à doença ou à vida, o mesmo ocorre com o discurso: algumas palavras podem provocar um mal; outras, prazer; outras, medo, ao passo que outras podem encorajar seus ouvintes. Ou ainda, por meio de alguma persuasão nociva, as palavras podem enfeitiçar (pharmakeuein) e lançar um encanto (ekgoēteuein) sobre a alma.” Górgias
Tanto no plano espiritual como na esfera econômica, a autoridade do Estado do tipo agora adotado no Brasil faz-se sentir sob a forma de coordenação e reajustamento das atividades dos indivíduos e dos grupos sociais, bem como pela intervenção protetora que visa preencher, pela assistência estatal, as deficiências e lacunas verificadas no tocante a assuntos que normalmente devem permanecer na órbita das responsabilidades individuais. ~ Azevedo do Amaral
A submissão dócil à autoridade do Estado não repugna, nem pode repugnar aos indivíduos normais, que intuitivamente compreendem que um povo, para se transformar em uma nacionalidade, precisa organizar-se em uma estrutura hierárquica, cuja solidez e funcionamento eficiente exigem a atuação de uma autoridade capaz de tornar-se a força coordenadora e orientadora dos elementos que se justapõem na sociedade. ~ Azevedo do Amaral
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O golpe de Estado de 10 de Novembro representou, em tais circunstâncias, uma iniciativa do Chefe da Nação para precipitar, com a urgência que o caso exigia, a mutação política que se tornara não apenas imperiosamente necessária, mas inevitável. A ordem que existia tinha forçosamente de ruir. A alternativa que se apresentava ao Brasil era apenas a de uma escolha entre a derrocada da democracia liberal, em condições que permitissem a ocorrência de uma situação de anarquia e de desintegração nacional, e a substituição do Estado corrompido, que se desarticulava, por uma nova ordem baseada nas realidades do meio brasileiro e capaz de proporcionar à Nação os meios de salvar-se e de iniciar, pela primeira vez, uma obra de organização política e econômica racionalmente orientada. ~ Azevedo do Amaral
«O valor de um grupo étnico é aferido pela sua maior ou menor fecundidade em gerar tipos superiores, capazes de ultrapassar, pelo talento, pelo caráter ou pela energia da vontade, o estalão médio dos homens da sua raça ou do seu tempo. Esses homens são os únicos elementos que "marcam" numa qualquer sociedade; são eles que dirigem as massas, eles que, modelando a consciência dos indivíduos sem personalidades, que são a maioria, modelam a alma e a fisionomia dos grupos a que pertencem» ~ Oliveira Viana
«A história brasileira é uma sucessão de abdicações de homens e instituições que se deixam ir embora, arrastados pelo medo ou pela displicência não um encadeamento de assaltos enérgicos e vencedores» ~ Azevedo do Amaral
«Agora que os bárbaros saídos das trincheiras da grande guerra, para destruir ilusões e reavivar na consciência política da Europa o senso das realidades, nos estão abrindo os olhos, podemos ver através da fantasmagoria democrático-liberal e começamos a descobrir de novo aquilo que os nossos antepassados do período proto-histórico reconheceram, logo que se formaram as primeiras coletividades humanas e de que ninguém duvidou durante dezenas de milhares de anos, até que a lucidez da inteligência francesa foi perturbada pelos encantadores entorpecentes fermentados no cérebro peculiar do grande Jean Jacques. Esse postulado, que foi a primeira noção sociológica intuitivamente adquirida pelo homem, é conceito de que o poder promana de quem governa e não pode portanto, sem flagrante absurdo, ter a sua origem atribuída à vontade dos que são governados.» ~ Azevedo do Amaral
O espírito demagógico e a falta cada vez maior de contato com os problemas nacionais caracterizam a última década da Monarquia. Um apriorismo teórico e um sentimentalismo pseudo-liberal dominam, deformando o curso normal da solução de problemas da maior gravidade. A questão abolicionista é deslocada para um plano em que são esquecidos os aspectos econômicos e as possibilidades sociais daquele tremendo problema. Os verdadeiros estadistas, que tentam introduzir um elemento racional no encaminhamento da crise, são apontados como retrógrados e reacionários. O caso de Cotegipe, a maior inteligência política da época, é exemplo característico. O afastamento da realidade nacional, diríamos melhor, o desdém pelo Brasil e pelos seus problemas, patenteia-se no leitmotiv da propaganda republicana. O Brasil, afirmava-se, devia republicanizar-se pelo simples motivo de que as instituições desse tipo estavam adotadas nos outros países do continente. Quintino Bocaiúva convertia ao credo republicano os leitores dos seus esplêndidos artigos, apontando o exemplo do México de Porfírio Díaz, como se entre o Brasil e o país asteca houvesse alguma coisa de comum... ~ Azevedo do Amaral
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A história do Segundo Reinado pode ser resumida em uma palavra: progressivo afastamento da realidade nacional sob a influência combinada do espírito de imitação do parlamentarismo, inaplicável às nossas condições, e das correntes de um pseudo-liberalismo demagógico, inspirado pela erudição livresca, fora do contato dos fatos e dos problemas que se deparavam na evolução brasileira. É apenas um ato de justiça reconhecer que a ação pessoal de D. Pedro II atenuou, até certo ponto, os efeitos maléficos daquelas forças, realizando uma relativa adaptação de instituições impróprias ao país aos casos concretos que inconfundivelmente se apresentavam no seu governo. Entretanto, as correntes divorciadas da realidade nacional foram ganhando terreno e impeliram gradualmente o desenvolvimento político na direção de reformas que ainda mais deslocaram o Estado do terreno sólido em que ele se deveria apoiar. A repercussão, entre nós, de acontecimentos desenrolados na Europa e a infiltração, nas Forças Armadas, do espírito da demagogia caudilhesca sul-americana, com que se haviam infectado as nossas classes militares durante as guerras do Prata e do Paraguai, foram intensificando as tendências ao surto de ideologias, cujo caráter abstrato teria forçosamente de imprimir à nossa vida política um cunho de ainda mais acentuada irrealidade. Em 1878, a queda do ministério Caxias levava os liberais ao poder, com um programa de substituição do sistema de representação indireta pelo processo do sufrágio direto, o que foi imediatamente executado. ~ Azevedo do Amaral
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A história de qualquer nação é sempre um encadeamento de experiências, em cujo insucesso se reuniram os elementos básicos para a tentativa subsequente de dar à coletividade uma organização política correspondente às injunções das realidades de todo gênero, que tinham de ser levadas em conta na obra construtora. Realmente, o desenvolvimento histórico não é, em última análise, mais que a correção sucessiva de erros, o reajustamento de situações desarmoniosas, uma série de mutações visando sempre a uma maior adaptação das formas estruturais da sociedade e do seu organismo político às condições traçadas pela inexorável pressão da realidade. Nada distingue os povos privilegiados, que vêm a representar papéis de primeira ordem no cenário onde se desdobra o drama da civilização, das coletividades inferiores e medíocres, que não deixam vestígios apreciáveis da sua passagem, senão a maior capacidade de entendimento do seu próprio determinismo sociológico e a aptidão para organizar-se adequadamente em função desses fatores fundamentais. ~ Azevedo do Amaral
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“Mas, se alguma das partes do universo é movida de acordo com a sua natureza, as partes cuja natureza não está em harmonia com o movimento sofrem, mas aquelas que são movidas prosseguem bem, como partes do todo; mas as outras são destruídas, porque não são capazes de suportar a ordem do todo; como se, quando uma grande companhia de dançarinos se movesse em ordem, uma tartaruga fosse pega no meio de seu avanço e pisoteada porque não foi capaz de sair do caminho do movimento ordenado dos dançarinos; contudo, se ela tivesse se alinhado com aquele movimento, não teria sofrido nenhum dano por parte deles.” Plotino
Dado o estado ferido da natureza humana após a queda, inundar um país com pornografia significa obter um certo número de pessoas viciadas nele, assim como inundar um país com drogas resultará em certa porcentagem de dependência. Quando as pessoas são fisgadas, a cultura mandarins podem usar os detalhes de seus vícios contra quem quer que vá contra o regime ~ E. Michael Jones
A verdade esotérica, aquela que informa o manual de operações do regime - em outras palavras, as pessoas que se beneficiam da “liberdade” - é o exato contrário, a saber, que a liberação sexual é uma forma de controle, uma maneira de mantendo o regime no poder, explorando as paixões dos ingênuos, que se identificam com suas paixões como se fossem suas e se identificam com o regime que ostensivamente lhes permite gratificar essas paixões. Pessoas que sucumbem às suas paixões desordenadas recebem racionalizações de do tipo que entopem as páginas da Internet e são moldadas em um força política poderosa por aqueles que são mais especialistas em manipular o fluxo de imagens e racionalização ~ E. Michael Jones
William James no Brasil, 1865